COMPANHIA CÊNICA SESC - PARÁ
Este ano tivemos a honra de apresentar o espetáculo de dança - teatro, Ser Estar. Contamos com pouco tempo para elaborar esse trabalho, cerca de 2 meses e meio, mas com muita dedicação e esforço o colocamos no palco.
Aqui abrimos então, um espaço importante para mostrar a todos a concepção da obra. Iniciaremos, portanto com o, quando...
Atualmente experimentamos um "novo" olhar sobre a nossas manifestações, pois a bagagem cultural e folclórica que o grupo carrega acabou por nos impulsionar ao uso da "Tanztheather", termo alemão que traduz a nossa nova linha de atuação, a Dança Teatro. Este conceito existe há mais de 90 anos, Rudolf Von Laban foi um dos expressionistas da dança que representou esta linha de pesnamento e foi na década de 70 que ela ganhou maior expressividade, com a coreógrafa Pina Baush. A mistura da dança com o teatro, a transformação do corpo em texto, o uso do termo bailarino-ator e do cotidiano como conteúdo coreográfico são marcas de um novo jeito de ver e fazer arte, diferente dos que estávamos acostumados!
Descobrimos em nós mesmos, no processo de pesquisa e montagem, o quanto este novo ângulo em que fomos postos pode assemelhar-se a parábola da caverna!
Nosso laboratório tem Grotowski e Stanislavski também, portanto buscamos aqui, o controle pleno sobre os corpos e um desenvolvimento do ações psicológicas que nos trazem a uma realidade mais "palpável" em cena. Esse trabalho proporciona para cada bailarino-ator maior compreensão de si e do que pretende e pode "doar" aos seus espectadores, colocando-os como peça fundamental para a cena.
Estamos neste momento entregues a idéia do corpo "nu" e tudo o que ele pode oferecer, tanto fisica quanto psicológicamente, trazendo à tona o indivíduo e tudo o que ele carrega, seu cotidiano, suas experiências, enfim, tudo o que somos e representamos. Queremos dar vida, ou melhor...viver isso tudo, só que em nossos corpos, em nossa verbosidade.
Esse é só o começo, e gostaríamos de convidá-lo e convidá-la a fazer parte deste universo que é novo e velho, que é inerente a todos nós e que acabamos por deixar adormecer dentro da gente, sem nem perceber, o verdadeiro Eu!
Venha Ser, venha Estar...!
Pensamentos "soltos"
“Quando comecei a coreografar, nunca tratei a dança como só 'coreografia', mas como expressão de sentimentos. Cada peça é diferente,difícil de se colocar em palavras. Num trabalho, cada coisa está entrelaçada- a música, o cenário, o movimento e tudo que é dito. Eu não sei onde uma coisa pára e a outra começa, e eu não preciso de analisar isto. Limitaria o trabalho se fosse tão analítica”. ( BAUSCH, Pina.New York Times, Setembro 29, 1985)
"O ritmo de vida na civilização moderna se caracteriza pela tensão, por um sentimento de condenação, pelo desejo de esconder nossas motivações pessoais, e por uma adoção da variedade de papéis e máscaras da vida (máscaras diferentes para a nossa família, o trabalho, entre amigos, na comunidade, etc.). Gostamos de ser “científicos”, querendo dizer com isto racionais e cerebrais, uma vez que esta atitude é ditada pelo curso da civilização. Mas também queremos pagar um tributo ao nosso lado biológico, o que poderíamos chamar de prazeres fisiológicos. Portanto, fazemos um jogo duplo de intelecto e instinto, pensamento e emoção; tentamos dividir-nos artificialmente em corpo e alma. Quando tentamos nos livrar disto tudo, começamos a gritar e a bater com o pé, no convulsionando com o ritmo da música. Em nossa busca por liberação, atingimos o caos biológico. Sofremos mais com uma falta de totalidade, atirando-nos, dissipando-nos.(…)" (Grotowsky)



E está vindo aí a temporada Ser Estar. Quem ainda não assistiu se prepare, se agende e guarde o espírito para entrar no universo do Espetáculo!
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