Olá amigos internautas!
A Companhia está retomando às suas atividades de "classe" e de palco. Dentro em breve anunciaremos o período de nossa temporada do espetáculo: Ser Estar, em Belém.
Por hora gostaríamos de compartilhar nossas pesquisas com vocês, nossos leitores assíduos.
Já iniciamos o tema, em nossa primeira postagem, quando das inspirações para a montagem do Ser Estar, onde fazemos o uso da Dança - Teatro como um "novo olhar" sobre os nossos trabalhos.
O tema central do Ser Estar é uma constante busca e iremos citar em "capítulos" cada personagem importante na construção desta peça.
O primeiro deles será...Jerzy Grotowski
Currículo
- Formou-se em Interpretação na Escola Técnica de Cracóvia em 1955, segue para Moscou em 1956 onde estudou técnicas de atuação e direção no Instituto Lunacharsky de Artes Teatrais (GITIS) com Tairov, Meyerhold, Stanislavski e Vakhtangov.
De 1956 – 1960 se especializou em direção:
- Debutou em 1957 no Stary Teatr, em Cracóvia, na produção de Eugene Ionesco, contribuir com Aleksandra Mianowska em: As cadeiras.
- Em 1958 dirigiu uma produção: workshop de Prospero Mérimée, O diabo feito uma mulher.
- Em Opole, em 1959, integrou-se no Teatro Laboratório (1959). Depois de dirigir “Bogowie deiszkzu”, (Jerzy Krzyszton) no Teatr Kameralny e “Uncle Vanya” (Anton Chekhov) no Stary Teatr, Cracóvia.
Textos que dirigiu: Fausto (1963), Hamlet (1964) e O príncipe constante (1965), de Calderón de la Barca.
Fundou em Varsóvia o Teatro Laboratório Polonês (1965), grupo que dirigiu em várias produções de sucesso na Europa e apresentou-se pela primeira vez em Nova York (1969) com grande sucesso.
Em 1971 foi nomeado Full Professor da Ecole Supérieure d'Art Dramatique in Marseille.
Dirigiu peças nos Estados Unidos e fundou American Institution for Research and Studies into the Oeuvre of Jerzy Grotowski para difundir suas idéias pelo país. Regressa a Polônia em 1980 onde montou o teatro das origens (que tratava de assuntos antropológicos).
Em 1982 mudou-se para os EEUU onde foi professor na Columbia University, em New York, e depois professor na University of California (1983).
Em 1985 fixa-se em Cracóvia, mas pouco depois muda-se para Pontedera na Itália, onde morreu em 14 de janeiro de 1999.
Várias homenagens foram prestadas a ele:
· 1973 - Doutor Honorário das Universidades de Pittsburgh;
· 1985 – Doutor Honorário de Chicago;
· 1991 – Doutor Honorário de Cracóvia e
· 1997 - Nomeado Professor do College de France.
Grotowski era polonês, nascido em Rzeszów em 11 de agosto de 1933. Viveu em família até seus seis anos, quando na Segunda Guerra Mundial se separou de seu pai(que serviu ao exército polonês na Inglaterra) e junto com sua mãe e irmão se refugia dos Nazistas em um sítio de seu tio, que era arcebispo em Cracóvia, neste momento (pelo contato com um religioso) J. Grotóvski descobre a vida espiritual, início de sua inspiração futura no campo teatral.
Para ele o teatro seria como uma busca espiritual, um laboratório onde se desenvolve o corpo tanto quanto a mente na busca do equilíbrio. Para tanto, Grotóvski rompia com o convencionalismo cênico, tirando da cena todos os excessos que tolhiam o potencial do ator. Para tanto trabalhou no sentido de desenvolver o corpo, propôs exercícios: físicos, plásticos (mental e de composição – ideogramas gestuais), vocais (respiração) e de máscara facial (a partir de Delsarte), onde observamos o uso da dança, pantomima, acrobacia, esportes e Yoga. Grotóvski pretendia com isso livrar-se de possíveis obstáculos que impediam o ator de criar, de se manifestar. Surge daí o “teatro pobre”, um teatro “nu” onde um dos princípios diz:
- "como o material do ator é o próprio corpo, esse deve ser treinado para obedecer, para ser flexível, para responder passivamente aos impulsos psíquicos, como se não existisse no momento da criação - não oferecendo resistência alguma. A espontaneidade e a disciplina são os aspectos básicos do trabalho do ator, e exigem uma chave metódica".
O uso do corpo em seu ápice expressivo permite um contato maior com o público, onde há a comunhão entre ambos e a percepção da arte em seu tom mais sublime e íntegro. Hoje pretendemos Estar mais perto de quem nos assiste e desta forma nos permitir sentir o Ser que cada um de “todos nós” tem guardado.


