quarta-feira, 9 de maio de 2012

COMPOSIÇÃO COREOGRÁFICA



Tornar um trabalho artístico compreensível às mais variadas realidades que a assistem é um árduo exercício, pois a cada expectador há um ponto onde tocar, uma sensação a prover. Como fazer isso tudo? Como fazer uso da linguagem do indizível com propriedade? Como nos apropriarmos de nós mesmos a ponto de nos entregar a um trabalho com tudo o que somos e com toda a bagagem de arte que carregamos? No estudo da matéria: Composição coreográfica, para a turma do curso técnico de dança do 2º ano da Escola de Teatro e Dança da UFPA, estas questões vêm sendo respondidas paulatinamente e de maneira satisfatória no ponto de vista pessoal de cada intérprete, pois houve nessa matéria a oportunidade de idealizar, criar e modificar a sua própria coreografia, ao mesmo tempo em que teve de se apropriar da coreografia do colega com igual segurança, a partir dai outras questões são implicadas. O que faz com que os intérpretes alcancem a mesma projeção de movimento de determinada célula de movimento (CM)? Por que o corpo ao realizar repetidas vezes o movimento o modifica, seja em forma de execução ou sentimentos? O que cada um deposita de sentimentos e sensações quando realiza a coreografia construída por outro? Isto interfere necessariamente na reprodução do movimento similarmente? É uma questão de tônus muscular ou consciência corporal a realização do movimento com seus fatores velocidade, peso, espaço e fluência de forma espelhada? Muitas questões foram levantadas durante o estudo e a prática da matéria. A aprendizagem foi um desafio, pois partimos do ponto onde somos instrumento de movimento e intepretação para os diretores das companhias (de maneira geral) as quais fazemos parte, vivendo hoje um momento onde somos levados a processo de criação em sua fase embrionária, somos, portanto, totalmente responsáveis pelo o que fazemos. Desta maneira passamos a sair da zona de conforto (para alguns) ou, encontramos um espaço que há muito almejávamos para criar e expor nossos próprios trabalhos e vê-lo nos corpos de outros intérpretes que conseguiram captar as ideias e sutilezas do movimento sugerido. Assim temos na composição coreográfica a palavra - chave do "texto" curso técnico de dança da ETDUFPA, pois o curso forma performances e a base está justamente nisto, ser capacitado para compor coreografias. As demais matérias vêm para enriquecer e ratificar o que é lecionado na matéria de composição. Neste âmbito houve indubitavelmente a descoberta de variados potenciais feitas por cada intérprete - criador acerca do intangivelmente tangível e possibilitou o desenvolvimento científico, sócio - cultural e até político do que o indivíduo se propôs a fazer, dando assim maior consistência  a caldeira cultural cinética de qualquer um que estuda e passeia pelo universo científico - filosófico da dança.























 





Quero deixar aqui registrado, que este texto foi editado a partir de experiências minhas com a matéria e experiências que assiti de colegas de clase. Que iniciaram-se com discussões acerca do assunto entre alunos e o professor Paulo Paixão e a prática da composição em si



Por: Sheila Oliveira Brecheret  (aluna do curs técnico de Dança da ETDUFA)