Tornar
um trabalho artístico compreensível às mais variadas realidades que a assistem
é um árduo exercício, pois a cada expectador há um ponto onde tocar, uma
sensação a prover. Como fazer isso tudo? Como fazer uso da linguagem do
indizível com propriedade? Como nos apropriarmos de nós mesmos a ponto de nos
entregar a um trabalho com tudo o que somos e com toda a bagagem de arte que
carregamos? No estudo da matéria: Composição coreográfica, para a turma do
curso técnico de dança do 2º ano da Escola de Teatro e Dança da UFPA, estas
questões vêm sendo respondidas paulatinamente e de maneira satisfatória no
ponto de vista pessoal de cada intérprete, pois houve nessa matéria a
oportunidade de idealizar, criar e modificar a sua própria coreografia, ao
mesmo tempo em que teve de se apropriar da coreografia do colega com igual
segurança, a partir dai outras questões são implicadas. O que faz com que os
intérpretes alcancem a mesma projeção de movimento de determinada célula de movimento
(CM)? Por que o corpo ao realizar repetidas vezes o movimento o modifica, seja
em forma de execução ou sentimentos? O que cada um deposita de sentimentos e
sensações quando realiza a coreografia construída por outro? Isto interfere necessariamente
na reprodução do movimento similarmente? É uma questão de tônus muscular ou
consciência corporal a realização do movimento com seus fatores velocidade,
peso, espaço e fluência de forma espelhada? Muitas questões foram levantadas
durante o estudo e a prática da matéria. A aprendizagem foi um desafio, pois
partimos do ponto onde somos instrumento de movimento e intepretação para os
diretores das companhias (de maneira geral) as quais fazemos parte, vivendo
hoje um momento onde somos levados a processo de criação em sua fase
embrionária, somos, portanto, totalmente responsáveis pelo o que fazemos. Desta
maneira passamos a sair da zona de conforto (para alguns) ou, encontramos um
espaço que há muito almejávamos para criar e expor nossos próprios trabalhos e
vê-lo nos corpos de outros intérpretes que conseguiram captar as ideias e
sutilezas do movimento sugerido. Assim temos na composição coreográfica a
palavra - chave do "texto" curso técnico de dança da ETDUFPA, pois o
curso forma performances e a base está justamente nisto, ser capacitado para compor
coreografias. As demais matérias vêm para enriquecer e ratificar o que é
lecionado na matéria de composição. Neste âmbito houve indubitavelmente a
descoberta de variados potenciais feitas por cada intérprete - criador acerca
do intangivelmente tangível e possibilitou o desenvolvimento científico, sócio
- cultural e até político do que o indivíduo se propôs a fazer, dando assim
maior consistência a caldeira cultural cinética de qualquer um que estuda
e passeia pelo universo científico - filosófico da dança.
Quero deixar aqui registrado, que este texto foi editado a partir de experiências minhas com a matéria e experiências que assiti de colegas de clase. Que iniciaram-se com discussões acerca do assunto entre alunos e o professor Paulo Paixão e a prática da composição em si
Por: Sheila Oliveira Brecheret (aluna do curs técnico de Dança da ETDUFA)
























